Com mais de 75% da soja de Mato Grosso semeada e o plantio avançando no Paraná, a safra 2026/27 entra na fase em que o manejo fitossanitário começa a ser decidido. O El Niño forte desenha dois cenários: Sul mais úmido, favorável a doenças, e Centro-Oeste mais seco e quente. Nos dois, os alvos que mais pesam no resultado são o percevejo-marrom e a ferrugem-asiática.
Percevejo-marrom: cada inseto por metro quadrado custa mais de uma saca
O percevejo-marrom (Euschistus heros) é a principal praga da fase reprodutiva da soja. Segundo o entomologista Clérison Perini, a perda de produtividade passa de uma saca por hectare para cada inseto por metro quadrado. Além do peso, o ataque causa grão chocho, semente deformada e perda de qualidade, que pesa ainda mais em campo de semente. No Paraná, produtores relataram de 3 a 4 percevejos por planta em lavouras muito infestadas na última safra.
Em clima quente e seco, como o previsto para o Centro-Oeste, o ciclo do inseto fica mais curto e as gerações se sobrepõem mais rápido. Isso torna o monitoramento regular mais importante do que o calendário de aplicação.
Nível de ação: quando aplicar
- Método: pano de batida, em vários pontos do talhão, contando adultos e ninfas acima de 0,5 cm.
- Período crítico: do início da formação de vagens (R3) até o enchimento de grãos (R6).
- Lavoura para grão: controle a partir de 2 percevejos por metro de fileira, conforme a recomendação da Embrapa Soja.
- Campo de semente: controle a partir de 1 percevejo por metro de fileira.
- Bordaduras: a infestação costuma começar pelas bordas, perto de mata e de áreas com plantas hospedeiras. Monitore essas faixas com mais frequência.
Rotacionar modos de ação entre aplicações é o que mantém os inseticidas funcionando nas próximas safras. Aplicação fora do nível de ação gasta produto e acelera a seleção de populações resistentes.
Ferrugem-asiática: casos triplicaram na última safra
Os casos confirmados de ferrugem-asiática passaram de 124 para 379 na safra passada, segundo levantamento do Consórcio Antiferrugem. Em regiões com epidemia, o Ministério da Agricultura estima perdas de 10% a 90% da produção. A doença causa desfolha precoce e prejudica a formação e o enchimento das vagens.
- A infecção exige pelo menos seis horas de molhamento foliar. Longos períodos de folha molhada aceleram o avanço.
- No Sul, com chuva acima da média prevista até dezembro, o risco é maior e as janelas de pulverização serão curtas.
- Semear dentro da janela recomendada e respeitar o calendário de semeadura reduzem a exposição da lavoura ao inóculo de áreas tardias.
As outras doenças do ano úmido
- Mancha-alvo: favorecida por chuva bem distribuída; o fungo sobrevive na palhada e na semente infectada. Causa desfolha em cultivares suscetíveis, com potencial de perda importante no Cerrado.
- Antracnose e oídio: estão entre as principais doenças fúngicas listadas pela Embrapa.
- Doenças de final de ciclo: mancha-parda e crestamento foliar de cercospora, com ocorrência variável por região.
A estratégia de fungicida deve considerar o histórico do talhão, a suscetibilidade da cultivar e a previsão de chuva. A última aplicação, no fechamento da lavoura, protege a folha durante o enchimento de grãos.
Monitoramento que vira decisão
O Alvo Check da Assistec Agrícola estrutura o monitoramento de pragas e doenças por talhão e indica o momento de agir, com rotação de modos de ação para frear a resistência. Aplicação baseada em contagem, e não em calendário. Fale com a nossa equipe técnica e siga @assistecagricola.