Enquanto o clima favorece o enchimento de grãos, a lavoura de soja enfrenta um “protagonista bastante complicado” na fase final do ciclo: o percevejo marrom (Euschistus heros). A presença deste inseto vai além do simples consumo da planta, representando uma ameaça dupla à rentabilidade do produtor através de danos diretos e indiretos.
A Dinâmica do Dano: Sucção e Infecção
O prejuízo direto ocorre no momento em que o percevejo introduz seu aparelho bucal nas vagens para sugar os nutrientes dos grãos, o que impacta o peso e a qualidade da colheita. Contudo, é o dano indireto que gera um efeito cascata preocupante. O processo de sucção cria lesões físicas nos grãos, abrindo “portas de entrada” para patógenos que estão presentes no ambiente.
Impacto na Produção de Sementes
O principal patógeno associado a esse ataque é o fungo Cercospora kikuchii, causador da Mancha Púrpura. A incidência desta doença é particularmente devastadora para a produção de sementes, pois a infecção pode inviabilizar o uso dos grãos para o plantio futuro. Isso frequentemente resulta no descarte de grandes volumes de produção que não atendem aos padrões de qualidade exigidos.
Dada a severidade destes danos, o monitoramento não deve cessar com a proximidade da colheita. É essencial vigiar a presença destes insetos no sistema de produção continuamente para evitar que se tornem um problema recorrente que comprometa a produtividade safra após safra.