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Por que reduzir o uso de adubos potássicos convencionais é benéfico para a cultura da soja?

O potássio está entre os nutrientes mais exportados pela cultura da soja, chegando a quase 20Kg por tonelada produzida. Para suprir essa demanda nutricional e evitar a degradação da fertilidade do solo, muitos agricultores recorrem a diversos fertilizantes potássicos convencionais, sem conhecer a fundo quais os potenciais riscos desses insumos para a cultura da soja.

Os fertilizantes potássicos convencionais e a soja  

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de soja na safra 2020/21 pode chegar a 133,7 milhões de toneladas no Brasil. Em contrapartida, para alcançar essa produtividade o país estará exportando dos seus solos mais de 2 milhões de toneladas somente de potássio (K2O).

A elevada demanda do potássio observada nos últimos anos é um reflexo direto da maior precocidade de ciclo e potencial produtivo das variedades de soja mais recentes. Este fenômeno é destacado por Luiz Tadeu Jordão e outros pesquisadores no artigo Nível crítico de potássio em folhas de soja com tipo de crescimento indeterminado.  

Para fornecer o potássio em quantidades suficientes, os agricultores recorrem ao uso de diversas fontes de nutrientes disponíveis no mercado, como:

  • Cloreto de potássio;
  • Sulfato de potássio;
  • Nitrato de potássio;

A rápida disponibilização de nutrientes e concentrações elevadas de potássio dos fertilizantes convencionais acabam se tornando os principais atrativos. Entretanto, essas vantagens aparentes acabam encobrindo potenciais problemas da utilização excessiva desses fertilizantes.

O primeiro deles tem um reflexo direto nos custos de produção. O Brasil ainda importa a maior parte de potássio usada na agricultura e quando sobem os preços internacionais do adubo, atrelados ao dólar, o agricultor sofre as consequências.

A valorização do dólar frente ao real, além dos custos de importação e logística, fazem com que o agricultor pague mais caro para nutrir a sua lavoura. Estimativas do Ministério da Agricultura apontam que o 96,5% do Cloreto de potássio (KCl), por exemplo, é importado.

Além do preço, o elevado índice salino de grande parte dos fertilizantes potássicos convencionais pode trazer impactos muito negativos para a cultura da soja e todo o seu agroecossistema.

Os impactos da adubação potássica convencional na cultura da soja  

Alguns dos principais impactos da adubação potássica convencional na cultura da soja estão relacionados ao elevado índice salino de grande parte dos fertilizantes convencionais.

Muitos dos fertilizantes mais utilizados na agricultura têm um índice salino bastante elevado.

O índice salino é uma medida da tendência do adubo para aumentar a pressão osmótica da solução do solo. Isso pode fazer com que o solo comece a retirar a água de dentro das células dos microrganismos e da planta, o que leva a morte microbiana e de raízes, em um processo chamado de plasmólise.

O acúmulo de cristais de sais minerais também provoca a salinização do solo, o que reduz a sua capacidade de reter água e nutrientes. Isso torna o solo mais pobre e com menos aporte para sustentar altas produtividades.

No artigo Efeito da salinidade do cloreto de potássio na emergência e no crescimento inicial de plântulas de soja, Raylan Henrique Ribeiro e os outros pesquisadores observaram que, quando o adubo com elevado índice salino estava em contato direto com a semente de soja, houve redução da emergência e decréscimo no vigor de todas as características avaliadas.

Dentre os diversos sais minerais presentes na formulação de fertilizantes potássicos com elevado índice salino, o cloro ganha um destaque negativo.

A presença excessiva de cloro no solo, não apenas contribui para o processo de salinização, mas como também para outros problemas indesejados.

A soja pode ser afetada pelo excesso de cloro dos fertilizantes  

Altas doses de cloro reduzem a capacidade do solo de armazenar umidade, podendo levar a diminuição dos poros, os espaços entre as partículas, que permitem que o ar e os nutrientes circulem pela sua estrutura.

Um solo compactado também dificulta a penetração das raízes no solo, prejudicando a absorção de água e nutrientes que são essenciais para que a lavoura produza em mais quantidade e com mais qualidade.

No artigo Compactação do solo no desenvolvimento radicular e na produtividade da soja, os pesquisadores Amauri N. Beulter e José F. Centurion observaram que a compactação do solo promoveu modificações na distribuição do sistema radicular de soja e ainda reduziu a produtividade em uma das situações observadas.

Perfil do desenvolvimento radicular da soja, sob diferentes níveis de resistência do solo à penetração.
(Fonte: BEULTER, A. N.; CENTURION, J.F., 2004)  

Além disso, o excesso de cloro pode causar problemas na fase de nodulação das raízes da soja e toxicidade na planta.

Os nódulos são estruturas que fixam o nitrogênio do solo no sistema radicular e para soja eles são um dos fatores que levam a maior produtividade em grãos, como constatado pelo Dr. Ricardo Ralisch no artigo Nodulação de cultivares de soja e seus efeitos no rendimento de grãos.

Isso acontece porque o cloro tem um efeito biocida e mata microrganismos que participam do processo de nodulação das raízes da soja.

Quando o cloro é absorvido pela planta, ele ainda pode causar necrose nos tecidos vegetais, incluindo das folhas. Mas, a soja pode apresentar esses sintomas de toxicidade por cloro?

Como evitar a aplicação excessiva de cloro no solo  

No artigo The Potassium paradox: Implications for soil fertility, crop production and human health, o Dr. Timothy Ellsworth, professor de Geologia e Ciência Agrícola da Universidade de Illinois (EUA), concluiu que as culturas de grãos são sensíveis à toxicidade do cloro.

Com isso, é preciso reduzir uso de fertilizantes potássicos convencionais com elevado índice salino e de cloro, para não gerar efeitos negativos para cultura da soja, substituir por fontes de potássio alternativas.

Assim, é possível alcançar uma maior qualidade e produtividade da soja aumentando a rentabilidade das plantações.

Fonte: Verde.agb