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Cinco limitações do uso do Cloreto de Potássio como fertilizante

O Cloreto de Potássio, também conhecido como KCl, está entre os fertilizantes potássicos mais usados na agricultura. Mas, porque ele é tão utilizado como adubo?  O Cloreto de Potássio é um dos adubos que tem mais potássio e disponibiliza rapidamente os nutrientes para as plantas. Entretanto, essas duas vantagens estão perdendo força frente as diversas limitações que essa fonte potássica vem apresentando.

Os fatores limitantes do uso do Cloreto de Potássio para plantas

A falta de potássio causa nas plantas consequências graves, como a diminuição da eficiência da fotossíntese e da qualidade flores e frutos, uma vez que esse nutriente está envolvido diretamente nesses processos.

Por isso, o uso de fertilizantes potássicos é amplamente empregado na agricultura e o Cloreto de Potássio é um dos mais utilizados.

Entretanto, a substituição gradativa do KCl nos programas de adubação está sendo cada vez mais buscada pelos agricultores, devido a instabilidade de preços da tonelada do Cloreto de Potássio no mercado. Ademais, o KCl tem algumas limitações no seu uso como fertilizante. Mas, quais são elas?”

  1. Exige o parcelamento da aplicação

O Cloreto de Potássio (KCl) pode agregar mais custos operacionais para o agricultor, uma vez que em grande parte das situações seu  vai exigir parcelamento da aplicação.

Isso acontece devido às características de solubilidade e índice salino desse fertilizante, que combinados podem comprometer o crescimento e desenvolvimento das culturas.

No artigo Efeito de doses de cloreto de potássio sobre a germinação e o crescimento inicial do milho, em solos com texturas contrastantes, Luis Sangoi e demais pesquisadores verificaram que a aplicação de altas doses de KCl na semeadura reduziu a germinação e o crescimento inicial do milho, principalmente em solos arenosos, com baixo poder tampão.

Já no estudo Resposta da soja à épocas de aplicação de potássio em cobertura, Pedro Filipy Cavalini e outros pesquisadores observaram que a aplicação total do Cloreto de Potássio na adubação de base comprometeu a população final da cultura da soja em um dos tratamentos.

Esses resultados observados pelos pesquisadores, são em parte, atribuídos ao elevado índice salino e solubilidade encontrados no KCl.

O índice salino é uma medida da tendência do adubo para aumentar a pressão osmótica da solução do solo. Quanto mais alta é essa medida, maior será a limitação do desenvolvimento do sistema radicular das plantas e das populações de microrganismos do solo.

O índice salino está relacionado com a concentração de cloro e o KCl tem uma alta concentração desse elemento. Mas, qual a é composição do Cloreto de Potássio? Esse fertilizante é composto por aproximadamente 47% de cloro.

Isso faz com que ele tenha um dos maiores índices salinos entre os fertilizantes potássicos, de 116%. Para fins comparativos, esse número se aproxima ao do sal de mesa (ou cloreto de sódio), com 153%.

Quando usado de forma intensa, o elevado índice salino do Cloreto de Potássio também pode levar a salinização do solo, e em casos mais graves podendo levar a redução:

  • Do equilíbrio nutricional da planta;
  • De atividades enzimáticas da planta que levam a perdas de produtividade e rentabilidade;
  • Da população damicrobiota do solo.
  1. Limita produtividade e rendimento das culturas

Em The potassium paradox: Implications for soil fertility, crop production and human health, publicado na revista Renewable Agriculture and Food Systems, o professor de Geologia e Ciência Agrícola da Universidade de Illinois, nos EUA, Dr. Timothy Ellsworth avaliou 211 publicações reportando análises estatísticas de resultados em culturas fertilizadas com o Cloreto de Potássio.

De acordo com os resultados obtidos pelos pesquisadores, a adubação com o KCl foi ineficiente no aumento da produtividade em 76% dos casos analisados. Além disso, ela também trouxe alguns problemas, principalmente relacionados ao alto teor de cloro presente no fertilizante.

Em culturas como a cana-de-açúcar, por exemplo, o pesquisador Hilário Júnior de Almeida observou que a toxidez do cloro foi fator limitante no crescimento e na produtividade de colmos. Resultados que foram explorados no artigo Nutrição potássica em soqueira de cana-de-açúcar colhida sem queima.  

Já o estudo feito pela Verde em parceria com a Delta Sucroenergia, mostrou que o excesso de cloro presente no Cloreto de Potássio reduziu a emissão dos ramos laterais da cana-soca em 11,56%, quando comparado com outra fonte livre de cloro.

Em vários casos, Dr. Timothy e seus colegas atribuíram a intensificação da perda de rendimento ao uso excessivo do Cloreto de Potássio, aliado a falta de testes do solo, toxicidade do cloro e a capacidade de absorção de potássio pela planta.

Os pesquisadores concluíram ainda que o índice salino foi outro fator muito prejudicial:

“As reduções de rendimento devidas à adubação com KCl podem ser explicadas pelo alto índice de sal desse fertilizante, que tem sido implicado como um fator prejudicial para a germinação e desenvolvimento das culturas e processos microbianos. Em alguns casos, a grande quantidade aplicada tornou ganho de rendimento em perda”.

  1. Prejudica as populações de microrganismos do solo

Os microrganismos do solo são muito importantes para manter a saúde do solo e promover o melhor desempenho das culturas, uma vez que eles estão associados a diversas funções essenciais num sistema agrícola, como:

  • Controle de pragas e doenças;
  • Promoção de crescimento das plantas;
  • Decomposição de resíduos orgânicos;
  • Fixação de carbono;
  • Ciclagem e disponibilização de nutrientes;
  • Biorremediação de poluentes e agrotóxicos.

Entretanto, diversos estudos mostram como a toxidez, a salinidade e a acidificação causadas pelo cloro têm efeitos devastadores sobre a microbiota do solo.

Em uma pesquisa conduzida pelo Dr. Roberto Santinato e Dr. Felipe Santinato, os resultados mostraram que o uso de fertilizantes clorados, como o Cloreto de Potássio , reduziu a quantidade de microrganismos no solo em lavouras de café.

Os resultados da análise biológica do solo mostraram que o tratamento com o Cloreto de Potássio reduziu a quantidade de fungos totais e fixadores de nitrogênio no solo quando comparado ao tratamento com K Forte®, fertilizante potássico livre de cloro.

Esses resultados demostraram o efeito altamente biocida do Cloreto de Potássio, ou seja, de eliminação dos microrganismos. Isso acontece porque o excesso de íons de cloro causa diversos distúrbios fisiológicos no solo, como a elevação da salinidade.

No artigo Effects of some synthetic fertilizers on the soil ecosystem, a pesquisadora Heide Hermary descreve esse efeito biocida e faz a comparação de que aplicar 200kg Cloreto de Potássio é equivalente a despejar 1600 litros de água sanitária no solo.

  1. Reduz a qualidade dos produtos agrícolas

O cloro presente em elevadas concentrações na composição do Cloreto de Potássio é muito indesejado, pois pode:

  • limitar a produtividade e rentabilidade das culturas;
  • reduzir a população de microrganismos benéficos no solo;
  • comprometer a qualidade do solo;
  • e ainda levar ao aparecimento de sintomas de toxicidade nas plantas.

Mas, além disso, ocloro ainda pode ser responsável por reduzir a qualidade de alguns produtos agrícolas, como acontece no caso da cultura do café.

Diversos estudos apontam que ele tem potencial para interferir no nível de atividade da polifenoloxidase (PPO), uma enzima que está significativamente ligada à qualidade da bebida.

O Doutor em Ciência do Solo Enilson de Barros Silva, no seu estudo Qualidade de grãos de café beneficiados em resposta à adubação potássica, demonstrou que o cloro provoca a redução da atividade da polifenoloxidase.

Uma das hipóteses levantadas por pesquisadores da área que explicam essa ação inibitória é de que como a PPO é uma enzima cúprica, o excesso dos íons de cloro leva a precipitação do íon Cl com o Cu2+, reduzindo a ativação da enzima.

  1. Compromete a qualidade do solo

O Cloreto de Potássio também pode comprometer a qualidade do solo, contribuindo negativamente com fenômenos indesejados, como a salinização, acidificação e a compactação.

A compactação foi estudada por Rajesh Prasad Shukla e outros pesquisadores da Universidade de Roorkee, que observaram o comportamento de solos expansivos quando expostos a ação do KCl, no artigo Stabilization of Expansive Soil Using Potassium Chloride.

Os solos expansivos se expandem ou se compactam de acordo com a quantidade de umidade presente em suas partículas e os pesquisadores verificaram que o uso do Cloreto de Potássio diminuiu a umidade, aumentando, consequentemente, a compactação.

As principais consequências da compactação do solo são mudanças em suas propriedades e alteração das características físicas e químicas, como a diminuição das taxas de absorção de água e nutrientes e também da penetrabilidade.

Na cultura do milho, o Dr. João Herbert Moreira Viana e outros pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no estudo Manejo do solo para a cultura do milho, observaram as consequências da compactação no sistema radicular da cultura:

“Observam-se, em áreas com solo severamente compactado, que as raízes das culturas não penetram na camada compactada, ficando concentradas acima dessa. A água também tem sua taxa de infiltração reduzida e, em consequência, aumenta-se o escorrimento superficial e, por conseguinte, a erosão”.

Com tantas limitações, existem alternativas ao Cloreto de Potássio para adubação potássica?

As fontes alternativas de potássio

A fim de se evitar as limitações impostas pela utilização do Cloreto de Potássio, não basta apenas escolher qualquer fonte alternativa de potássio. O agricultor deve, preferencialmente, buscar por fertilizantes com baixo índice salino, baixos teores de cloro e com liberação gradual de nutrientes.

Essas características vêm sendo encontradas principalmente em fertilizantes minerais, que são fabricadas a partir de rochas com potencial de uso agronômico e são uma fonte de potássio natural para as plantas.

A melhor escolha será aquela que vai apresentar o menor número possível de limitações e proporcionar a melhor relação custo e benefício para a lavoura!

Fonte: verde.ag