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Boas práticas de manejo conservacionista ajudam a acumular carbono no solo

Por João Carlos de Moraes Sá*

As alterações no clima têm causado inúmeros prejuízos à agricultura, seja pela ocorrência de longos períodos de estiagem ou devido a eventos com intensa precipitação pluviométrica, causando a erosão dos solos e reduzindo o potencial das colheitas. Em situações adversas como essas, o manejo adequado do solo ganha ainda mais importância, já que tem como finalidade proporcionar o suprimento adequado de ar, água e nutrientes para os cultivos se desenvolverem e expressarem o seu potencial. Em outras palavras, isso significa que as raízes, ao ocuparem os poros do solo, devem ter à sua disposição ar, água e nutrientes em níveis suficientes.

A busca por sistemas de manejo do solo que harmonizem o desenvolvimento de novas tecnologias com a viabilidade econômica, minimizando o impacto ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa, tem sido o desafio de produtores rurais e da comunidade científica nas últimas décadas. Entre os exemplos de sistemas de manejo conservacionistas está o plantio direto, uma estratégia que tem se mostrado eficiente para mitigar o CO2 atmosférico e acumular carbono no solo.

O plantio direto está fundamentado em três pilares: plantio sem revolvimento do solo (restrito à linha de semeadura), cobertura permanente do solo (com plantas vivas ou palhadas) e  diversificação de plantas na rotação de cultivos. A importância desse sistema está no fato de que ele requer menos operações de manejo do solo (como o menor uso de combustível fóssil e fertilizantes) que o preparo convencional, tudo isso enquanto sequestra o carbono orgânico, componente-chave no controle dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo.

O primeiro passo para que esse sistema de manejo alcance alto grau de eficiência nessa estratégia é intensificar o sistema de produção, visando fechar as janelas entre a estação chuvosa e o período seco para manter o solo permanentemente coberto. Para isso, é possível utilizar culturas para cobertura do solo — como aveia preta, centeio, ervilhaca, tremoço e ervilha forrageira para a região sul, além de milheto, braquiárias, sorgo forrageiro, crotalárias, feijão guandú, estilosanthes para a região tropical e cerrados, em combinação com cultivos comerciais.

Adicionalmente, o manejo da acidez com a calagem, o uso de gesso para aumentar o conteúdo de cálcio e a adequação da fertilização (NPK e micronutrientes) irão contribuir para o aumento do rendimento dos cultivos e o acúmulo de C no solo. Esse é o propósito de relevantes iniciativas em andamento sobre o tema, como a Carbono Bayer, desenvolvida em parceria com a Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto.

*João Carlos de Moraes Sá é professor sênior aposentado da UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq – Nível 1D e presidente da Comissão Técnico-Científica – FEBRAPDP (Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto)

Fonte: JeffreyGroup