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Enchimento eficaz: o que é preciso para melhorar o enchimento de grãos

Deyvid Bueno*

Na fase de enchimento de grãos devemos dar uma atenção diferenciada e entender quais fatores podem afetar no melhor resultado produtivo. Isso vai ajudar nas tomadas de decisões na lavoura.

Todos os agricultores querem maximizar sua produção sem a necessidade de explorar novas áreas e, é claro, diminuir custos. A fase de enchimento de frutos e grãos é o momento em que o produtor coroa os esforços que foram realizados na lavoura até então e contribuem para a melhor performance produtiva e econômica do cultivo.

O enchimento de frutos e grãos

O enchimento de grãos é a fase do cultivo de soja com enorme ação metabólica. A planta direciona os fotoassimilados acumulados durante seu crescimento vegetativo e durante a frutificação preferencialmente para os frutos.

Na fase de enchimento ocorre naturalmente uma competição por nutrientes e reservas entre a parte vegetativa e a reprodutiva das plantas. Os frutos jovens possuem uma forte capacidade de dreno de sais minerais, açúcares e aminoácidos. Durante o acúmulo destas substâncias nos frutos ocorre um decréscimo proporcional nas folhas.

Ter, no enchimento de grãos, todo um cuidado dos fatores que influenciam essa fase, cria condições para ter um perfil melhor de uniformidade e melhoria significativa de aumento de peso final.

Campo verde com árvores ao fundo

Descrição gerada automaticamente

Orientação de imagem: 2

Eficiência no enchimento e transporte de carboidratos

A duração e,  principalmente, a eficiência da captação da radiação solar, além da transformação da energia solar em carboidratos capturados nas folhas e enviados para as estruturas reprodutivas, conferem os principais pontos limitantes para altas produtividades em lavouras de maneira geral.

Conforme a planta avança suas fases fenológicas, uma maior necessidade de acúmulo adequado de energia é preciso, para suprir as demandas naturais de formação de todas as suas estruturas e enviar para os frutos. Conforme a planta tem as condições para seguir com o pleno envio de fotoassimilados às vagens, melhor será a uniformidade e peso de grãos ao final do ciclo de vida da cultivar.

Para a cultura da soja é preciso 2g de fotoassimilados para produzir 1g de grãos. Com isso, a necessidade de manter a folha fotossintéticamente ativa, respeitando sua maturidade fisiológica, garante um melhor enchimento e uma excelente qualidade na performance de produtividade na plantação.

Outro fator relevante para um enchimento eficaz, é proporcionar à planta a melhor condição de permanência de vagens durante as fases críticas de R2/R3, pois nessa fase as condições ambientais podem influenciar em um maior ou menor abortamento desses órgãos.

Alterações causadas por estresses ambientais podem levar a perdas severas. Estresses hídricos têm se apresentado como um dos principais problemas, pois na sua incidência há uma redução drástica da fotossíntese e leva a planta a produzir mais hormônios,  que provocam um aumento de abortamento como o Etileno e ácido abscísico.

Componentes que comprometem o processo de enchimento

Entender o processo metabólico de enchimento de grãos ajuda a definir melhor quais ações podem ser tomadas para aumentar a eficácia desta fase para melhorar a produtividade e como mitigar os componentes que mais podem afetar essa etapa.

1.Estresses abióticos no enchimento

Provocam alterações fisiológicas na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas e diminuem o envio de solutos para os grãos. Tais efeitos produzem uma série de compostos que consomem energia da planta e diminuem a produtividade.

2.Baixa disponibilidade de potássio

O potássio é um dos macronutrientes mais requeridos pelas plantas, atuando diretamente na fotossíntese. Ele está presente em inúmeras funções, como:

  • Resistência de plantas a pragas e doenças;
  • Metabolismo do nitrogênio;
  • Crescimento meristemático;
  • Ativação enzimática;
  • Osmoregulador atuando no movimento estomático;
  • Translocação dos sintetizados e fotossíntese;
  • Qualidade dos frutos.

3.Fornecimento de Nitrogênio pelos microrganismos fixadores de N

Para a fase de enchimento o fornecimento de N é reduzido significativamente em razão da menor atividade das bactérias fixadoras de N e alocação preferencial de carboidratos pela planta. Com isso uma expressiva quantidade de carboidratos pode deixar de ser translocada para os grãos, diminuindo a resposta produtiva. Durante a fase de enchimento ocorre a maior demanda de remobilização de nitrogênio para os frutos.

4.Eficiência fotossintética reduzida

No estágio de enchimento é fundamental que a taxa fotossintética esteja adequada e funcionando muito bem, ou seja , folhas com plena atividade da fotossíntese para aumentar o envio de fotoassimilados para os frutos. Manter a folha verde por mais tempo, garante um melhor enchimento e qualidade de frutos.

Taxa de enchimento de grão

Pássaro no galho de uma árvore

Descrição gerada automaticamente com confiança baixa

Orientação de imagem: 3

A taxa de enchimento de grãos vem a ser um grande fator que deve ser considerado nesta fase para a cultura da soja. Esse índice chega a valores médios de 8,3 mg[grão]/dia do estádio R5 a R7. Sendo assim, é possível interpretar o aumento de um dia entre esses estágios, que pode representar o incremento de 2,49k/ha em uma população de 300.000 plantas com 1 grão por planta. Ou seja, o prolongamento da fase de enchimento de grãos é imprescindível para possibilitar grandes ganhos de produtividade.

Aliado ao que foi apresentado é preciso considerar as variáveis :

•Genética

•Disponibilidade de fotoassimilados

•Atividade do dreno

•Estágio fenológico

Essas variáveis afetam diretamente a taxa de enchimento de grãos, podendo ter sua maior otimização ou retardamento conforme o manejo empregado.

Uma imagem contendo Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Orientação de imagem: 4

Referencias: SINCLAIR , T.R; DE WIT , C.T. Photossynthate and nitrogen requirements for production by various crops. Science, v.189,n4202, 1975.

FAGAN, E.B; RODRIGUES, J.D; ONO, E.O; TEIXEIRA, W.F; NETO, D.D. Fisiologia da produção de soja. Editora Adrei,2020.

*Deyvid Bueno, Gerente de Desenvolvimento de Mercado na Fertiláqua/ICL, é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Especialista em Fertilidade do solo e nutrição vegetal pela FAZU, possui MBA em Gestão, Empreendedorismo e Marketing pela UFRS e, atualmente, cursa Gestão de Produtos pela Business Behavior Institute.

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