A semana trouxe movimentações importantes no câmbio, mudanças no clima e atualizações relevantes sobre o andamento do plantio e a comercialização de insumos. A Assistec Agrícola resume os principais pontos que impactam diretamente as decisões de produtores, gerentes e técnicos de fazenda.
Câmbio e mercado
O dólar iniciou a semana com leve queda, cotado a R$ 5,38 (-0,4%), refletindo expectativas de novos cortes de juros nos Estados Unidos. O movimento traz algum alívio para importações e pode influenciar estratégias de compra de fertilizantes e defensivos.
Principais preços (24/11)
- Açúcar: 106,50 R$/sc (+0,1%)
- Soja: 140,93 R$/sc (+0,6%)
- Milho: 67,67 R$/sc (-0,2%)
- Algodão: 61,27 cU$/lp (-1,7%)
Clima: instabilidade segue determinando o ritmo das operações
O Sul e parte do Sudeste apresentam tempo mais estável, favorecendo a colheita de trigo. Mesmo assim, permanecem chances de pancadas isoladas e episódios de granizo entre PR, MS, SP e MG.
No Centro do país, as chuvas continuam irregulares. Já no MATOPIBA, o cenário segue preocupante: precipitações mal distribuídas e volumes baixos ainda atrasam a implantação das lavouras.
Soja: avanço nacional de 79%, mas com forte atraso no MAPITO
O plantio da soja atingiu 79% no Brasil, desempenho abaixo da média dos últimos 5 anos por causa do atraso no MAPITO, que segue com apenas 45% da área implantada. O clima seco persiste no MAPITO e na Bahia, reforçando a necessidade de chuvas regulares nos próximos dias para evitar perdas.
Em MT, MS e PR, o avanço é consistente, com lavouras em ótimo desenvolvimento. No RS, o plantio pode desacelerar nas próximas semanas por falta de umidade, mas a condição atual das áreas é considerada boa.
A produção nacional permanece estimada em 180,7 milhões de toneladas e as exportações foram revisadas para 115,5 milhões, com preços internacionais projetados acima de US$ 11/bushel.
Milho Verão: 72% da área implantada
O milho verão atingiu 72% do plantio no Brasil, 6 pontos abaixo da média dos últimos 5 anos. O Sul praticamente encerrou a semeadura (PR 100%, SC 96%, RS 93%), com bom desenvolvimento das lavouras e poucas ocorrências de pragas.
Em SP, 83% da área já foi semeada. Já em MG, GO e BA, a baixa umidade reduziu o ritmo, com avanço próximo à metade da área esperada. A projeção de produção é de 25,7 milhões de toneladas, 6,1% acima da safra anterior.
Comercialização de insumos: ritmo variável entre regiões
Milho – Safra 25/26
- Sementes: 68%
- Fertilizantes: 63%
- Defensivos: 46%
Regiões com plantio da soja mais adiantado (PR, MS Sul, MT) mostram avanço maior. Já MAPITO, MG e GO seguem com ritmo menor, refletindo o atraso da safra. A tendência é que compras de defensivos ganhem força após o encerramento da semeadura da soja.
Soja – Safra 25/26
- Fertilizantes: 99% comercializados
- Sementes: 99% comercializadas
- Defensivos: 85% comercializados
O que ainda falta está concentrado no RS, onde restam 5% para concluir as negociações. Destaque para regiões precoces, que já chegam à terceira aplicação, com incidência crescente de lagartas em MT, GO e MS Norte.
Cana: bom desenvolvimento e projeção positiva
A safra 26/27 apresenta bom desenvolvimento vegetativo no Centro-Sul, com canaviais beneficiados por chuvas mais regulares. A produtividade média estimada é de 79,8 t/ha (+3,1%).
A produção de açúcar deve chegar a 40,9 milhões de toneladas (+1,7%) e a de etanol de cana a 25,5 bilhões de litros (+7,1%). Mesmo com oferta global elevada, os preços seguem estáveis.
Café: insumos avançam para 26/27
A comercialização de fertilizantes já alcança 84%, com fábricas operando em alta demanda e produtores intensificando aplicações após o retorno das chuvas.
Para defensivos, 79% já foram negociados, e o mercado relata margens positivas no ano.
As análises acima são baseadas em dados de MBAgro, Agroconsult, CONAB, StoneX e outras fontes de inteligência de mercado.