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Incompatibilidade entre defensivos agrícolas: por que isso acontece — e como evitar prejuízos no campo

A preparação da calda é um dos momentos mais críticos da operação de pulverização. Quando a mistura entre defensivos não é compatível, o problema não fica só no tanque: ele aparece no bico, na planta e, mais tarde, na produtividade. Entupimentos, espuma excessiva, precipitação, fitotoxicidade e perda de eficácia no controle são alguns dos sintomas de uma mistura feita fora do padrão.

Num cenário de custos altos e janelas de aplicação cada vez mais apertadas, entender a compatibilidade entre produtos deixa de ser detalhe técnico e vira proteção direta da eficiência da lavoura.

Por que isso importa para o produtor

Misturas mal planejadas podem comprometer toda a estratégia de manejo. Quando dois produtos reagem entre si — química ou fisicamente — formam precipitados, grumos, emulsões instáveis ou até novas substâncias que reduzem completamente o controle esperado.

Isso traz três consequências diretas ao campo:

  • Falha no controle de pragas, doenças e daninhas
  • Entupimento de filtros e bicos, exigindo paradas que atrasam a operação
  • Risco de fitotoxicidade, prejudicando o stand e o potencial produtivo

Em uma safra onde cada dia de atraso ou cada ponto de percentual de eficiência conta, a incompatibilidade de calda se torna um gargalo real para o resultado final.

O que causa a incompatibilidade das misturas

A origem do problema geralmente está em três grupos principais:

1. Diferenças de pH – Incompatibilidade química

Produtos com faixas ideais de pH muito distintas podem reagir quando misturados. O resultado é a formação de partículas insolúveis, decantação e perda de ação dos ingredientes ativos.

2. Interação entre ingredientes ativos – Reações químicas indesejadas

Certos compostos não “convivem bem” na mesma calda. Eles podem:

  • Degradar um ao outro
  • Formar substâncias inativas
  • Diminuir drasticamente o controle em campo

É a mistura aparentemente “correta” que falha mesmo com boa aplicação.

3. Problemas de formulação – Incompatibilidade física

Misturar SL com SC, WG com EC ou outras combinações sem seguir a ordem correta pode gerar:

  • Grumos
  • Floculação
  • Separação de fases
  • Espuma excessiva

Grande parte dos entupimentos nasce aqui.

4. Qualidade da água – pH, dureza e sais minerais

Água dura reduz a performance de herbicidas e inseticidas. Íons como Ca²⁺ e Mg²⁺ reagem com ingredientes ativos, gerando precipitação. Sem condicionador, a perda de eficiência é imediata.

Impactos diretos na operação

Entupimentos e falhas nos bicos

Partículas sólidas bloqueiam passagens e alteram vazão, deixando a aplicação irregular.

Acúmulo de resíduos

Prejudica o sistema de pulverização e contamina aplicações seguintes.

Leituras erradas de sensores e fluxômetros

Espuma excessiva dificulta o controle da vazão e compromete a precisão.

Impactos diretos na eficácia da lavoura

Perda de eficiência dos produtos

A incompatibilidade pode causar:

  • Ingredientes ativos degradados
  • Misturas antagonistas que anulam o efeito
  • Redução drástica do controle em campo

Fitotoxicidade

Quando a calda fica desbalanceada, a planta sente:

  • Queima de folhas
  • Redução de crescimento
  • Queda de potencial produtivo

Riscos ambientais

Resíduos mal dissolvidos podem contaminar solo e água.

Como evitar a incompatibilidade na prática

1. Leia a bula e consulte compatibilidades

Nem toda mistura é recomendada — e algumas são explicitamente proibidas.

2. Siga a ordem correta de adição

Em geral:

  1. Água
  2. Produtos solúveis (WG, WP)
  3. Produtos líquidos solúveis (SL)
  4. Suspensões (SC)
  5. Emulsionáveis (EC)
  6. Óleos e adjuvantes por último

3. Use água de qualidade

Quando necessário, aplique condicionadores para corrigir pH e dureza.

4. Mantenha o agitador sempre ligado

Antes, durante e após o preparo da calda, garantindo a homogeneidade da mistura.

5. Consulte um engenheiro agrônomo

Cada formulação tem seu comportamento. A análise técnica evita prejuízos e garante segurança.

Recomendações técnicas da Assistec Agrícola

A Assistec reforça três pontos fundamentais que fazem diferença no campo:

  • Sempre faça o teste de compatibilidade em pequena escala antes da mistura final.
  • Trabalhe com água analisada e corrigida — é o insumo mais barato da operação, mas o que mais interfere na estabilidade da calda.
  • Evite misturas excessivas: quanto mais produtos no tanque, maior o risco de incompatibilidade química e física.

Nos dias atuais, eficiência operacional é margem. E margem, no Sudoeste Goiano, não pode ser desperdiçada por uma mistura desajustada.

Visão de médio prazo

Com a tendência de produtos mais concentrados, formulações novas e aplicações cada vez mais ajustadas à janela climática, a compatibilidade de calda será um tema ainda mais crítico nas próximas safras.

Produtores que dominam esse processo reduzem custos, evitam retrabalhos e garantem maior estabilidade dos resultados.

Conclusão

A incompatibilidade entre defensivos agrícolas não é um problema do pulverizador — é um problema da mistura. E ele pode ser evitado.

Com orientação técnica, atenção à ordem de adição, cuidado com a água e o suporte de uma equipe preparada, o produtor protege sua produtividade e mantém a lavoura em alto desempenho.

A Assistec Agrícola segue ao lado do produtor, garantindo precisão, eficiência e decisões técnicas seguras em cada etapa da safra.