Atualizado em 10 nov 2025 • Por Giulianno Cássio
Com a regularização das chuvas, o cenário do Sudoeste Goiano mudou e os agricultores voltaram a se animar com a safra. O período que antes era de incertezas dá lugar a uma retomada das operações de campo — aplicações de pós-emergentes, inseticidas, foliares e ajustes de plantio voltaram ao ritmo planejado.
Germinação irregular: o primeiro sinal de alerta
Apesar da melhora no regime hídrico, o atraso nas chuvas trouxe um desafio técnico importante: a germinação irregular. Plantas que demoram para emergir consomem mais reservas internas, sofrem maior estresse bioquímico e acabam ficando menores e dominadas por vizinhas mais vigorosas. Esse desnível inicial impacta o estande e, consequentemente, o potencial produtivo da lavoura.
Dessecação e o fenômeno dos “herbicidas patinando”
O manejo de dessecação é um ponto crítico. É ele que garante que a soja emerja no limpo, sem competição inicial com plantas daninhas. No entanto, as chuvas irregulares e o estresse hídrico nas ervas têm dificultado o controle, mesmo com herbicidas bem aplicados — situação popularmente conhecida no campo como “o herbicida patinou”.
A resistência cruzada de daninhas a diferentes mecanismos de ação reforça a necessidade de planejamento técnico. Aplicações devem respeitar o estádio da planta daninha e as condições de umidade do solo para que o produto tenha absorção e eficácia adequadas.
Plantas de cobertura: aliadas ou vilãs?
O uso de plantas de cobertura vem ganhando espaço no Sudoeste Goiano pelos inúmeros benefícios agronômicos — melhoria da estrutura do solo, supressão de invasoras e incremento da matéria orgânica. Mas quando mal manejadas, elas se tornam esconderijo ideal para pragas como Elasmo, Spodoptera, Cascudinho e Vaquinhas, que causam perdas de estande e reduzem a produtividade.
Pragas no início da safra: o alerta do Coró-da-soja
Neste início de safra, tem sido comum observar ataques intensos de pragas logo após a dessecação. Com a vegetação seca, a soja passa a ser a principal fonte de alimento disponível — rica em proteínas e carboidratos, torna-se o alvo preferido dos insetos. Entre eles, destaca-se o Coró-da-soja (Phyllophaga cuyabana e Liogenys fusca), sendo o primeiro mais frequente na região.
Durante inspeções recentes nos sulcos de plantio, foi possível encontrar larvas em fase inicial de desenvolvimento — exatamente quando causam mais danos. Lesões nas raízes são extremamente prejudiciais, pois comprometem a absorção de água e nutrientes. O impacto lembra o efeito de uma poda de raízes em um bonsai: o crescimento é contido, e a planta perde vigor e capacidade produtiva.
Conclusão
O início da safra 2025/26 no Sudoeste Goiano exige atenção redobrada com o manejo de herbicidas, pragas e plantas de cobertura. Em um cenário de clima irregular e alta pressão de daninhas, a decisão técnica correta — no momento certo — é o que diferencia o produtor que apenas planta daquele que colhe com rentabilidade e segurança.
Fonte técnica: Relatório de campo Assistec Agrícola – Novembro/2025.