O setor de insumos agrícolas abre 2026 com sinal positivo: dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) revelam que as entregas de fertilizantes no Brasil cresceram 5,3% em janeiro, totalizando 3,87 milhões de toneladas — volume superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O número confirma o movimento de antecipação de compras por parte dos produtores e reforça a disposição do campo em investir na base produtiva mesmo em um cenário de juros elevados.
Mato Grosso lidera; Goiás e Paraná completam o pódio
O Mato Grosso manteve sua posição de maior consumidor nacional de fertilizantes, concentrando quase 30% de todo o volume entregue no país em janeiro. Goiás e Paraná ocupam respectivamente o segundo e terceiro lugar no ranking regional — os três estados juntos respondem por mais da metade de toda a demanda nacional de adubos, o que reflete a predominância das culturas de grãos (soja e milho) nessas regiões.
Dependência externa segue alta
Apesar do crescimento das entregas, o cenário de oferta mostra fragilidade estrutural: enquanto a produção nacional de intermediários recuou 23% no período, as importações subiram 5,4%. O Porto de Paranaguá segue como principal porta de entrada dos fertilizantes importados, especialmente potássio e fosfatados. Essa dependência externa expõe a cadeia produtiva a oscilações cambiais e geopolíticas — um risco que o produtor deve considerar no planejamento de compras ao longo do ano.
GETAP: última chance para inscrever sua safrinha
Enquanto os insumos chegam ao campo, os produtores de milho safrinha têm até 30 de abril de 2026 para inscrever suas áreas no GETAP (Grupo de Estudos Técnicos Agrícolas e Produtivos). O concurso monitora a performance agronômica das lavouras e transforma dados de campo em indicadores de produtividade comparáveis regionalmente.
Na edição anterior, o destaque foi o produtor Mateus Passinatto (MT), que alcançou a impressionante marca de 268,4 sacas por hectare em sistema de sequeiro — resultado que demonstra o potencial produtivo da cultura quando aliado ao manejo preciso e ao uso das variedades e tecnologias certas.
Janela estratégica para a safrinha
Com o plantio da safrinha próximo de 100% no Centro-Oeste, o foco do manejo neste momento deve estar em:
- Tratamento de sementes — inseticidas e fungicidas aplicados nas sementes protegem a plântula nas fases mais vulneráveis ao ataque de pragas de solo e doenças iniciais;
- Nutrição de arranque — o fósforo e o zinco no sulco de plantio são essenciais para o desenvolvimento radicular inicial, especialmente em lavouras com plantio tardio;
- Monitoramento de cigarrinha — com áreas plantadas fora da janela, a vigilância intensiva para a cigarrinha-do-milho nos primeiros 30 dias é fundamental para evitar os enfezamentos que comprometem a produtividade final.
O crescimento de 5,3% nas entregas de fertilizantes sinaliza que o produtor brasileiro segue comprometido com a produtividade. Aliado ao acompanhamento técnico e ao uso de ferramentas como o GETAP, esse investimento em insumos tem potencial de gerar retornos expressivos mesmo em uma safrinha com parte das áreas fora da janela ideal.