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Fertilizante nitrogenado: 95% é importado e a Embrapa acha bactéria que fixa N no algodão

95% do nitrogênio que o Brasil aplica vem de fora

Dos fertilizantes nitrogenados consumidos no Brasil, 95% do volume é importado. O número foi lembrado pela Embrapa ao anunciar, em agosto, a identificação de bactérias diazotróficas capazes de fazer Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) no algodoeiro. Para o produtor de milho e algodão do Centro-Oeste, ele explica por que o custo da ureia acompanha o câmbio, o frete marítimo e a geopolítica antes de acompanhar qualquer coisa que aconteça na fazenda.

A soja resolveu esse problema há décadas com a inoculação de Bradyrhizobium. Milho, algodão, cana e trigo continuam dependentes do adubo mineral. É nessa lacuna que a pesquisa e o mercado de biológicos estão mirando.

O que a Embrapa encontrou

A pesquisa foi conduzida pela Embrapa Algodão em parceria com a Embrapa Arroz e Feijão. Os pontos principais:

  • Origem das bactérias. Foram isoladas das raízes do algodão arbóreo (Gossypium barbadense), espécie nativa de raízes profundas que mantém simbiose natural eficiente com microrganismos fixadores.
  • Resultado em ensaio controlado. Plantas de algodão herbáceo comercial inoculadas apenas com as bactérias apresentaram vigor e desenvolvimento equivalentes às que receberam nitrogênio mineral convencional.
  • Estágio. Trata-se de ensaio controlado, não de produto registrado. O caminho até um inoculante comercial passa por validação em campo, em diferentes solos e safras.

O ponto para o produtor não é trocar a ureia amanhã. É entender que a fronteira de redução de custo com nitrogênio está se movendo, e que a fazenda precisa ter estrutura para testar quando o produto chegar.

A conta do biológico no PIB e na lavoura

Estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV com o Instituto Equilíbrio, divulgado também em agosto, mediu o retorno das práticas do Plano ABC+. Para insumos biológicos, incluindo a FBN, a projeção é de R$ 79 de ganho direto nas lavouras de soja, milho, cana e arroz para cada R$ 1 investido, com potencial de injetar R$ 15,8 bilhões no PIB. O mesmo estudo defende acelerar o ProFert para produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência de importados.

Número de estudo macroeconômico não é número de talhão. O retorno de R$ 79 é uma média setorial, que inclui a soja, onde a FBN já substitui integralmente o nitrogênio mineral. No milho e no algodão, o ganho hoje vem de bactérias promotoras de crescimento (Azospirillum, por exemplo), que permitem reduzir parte da dose de N, não eliminá-la. A resposta varia com solo, híbrido, época e qualidade da inoculação.

O que dá para fazer nesta safra

  • Medir antes de cortar. Reduzir dose de nitrogênio no milho com base em promessa de biológico, sem faixa testemunha no talhão, é o jeito mais rápido de perder saca.
  • Faixas de teste com dose escalonada. Testemunha sem inoculante, inoculante com dose cheia de N e inoculante com dose reduzida. Três tratamentos, mesma área, mesma colhedora.
  • Cuidar do inoculante como insumo vivo. Temperatura de armazenamento, compatibilidade com tratamento de semente e tempo entre inoculação e plantio decidem se a bactéria chega viva na raiz.
  • Olhar o perfil de solo. Microrganismo fixador precisa de raiz ativa em profundidade. Em solo compactado ou com alumínio abaixo de 20 cm, o biológico não entrega.

Como a Assistec entra nisso

O Campo Experimental existe para isso: testar inoculantes, promotores de crescimento e doses de nitrogênio nas condições da região, com dados de SC/ha coletados aqui. Quem quer reduzir a exposição ao nitrogênio importado precisa de resultado próprio, não de folder.

Se você quer saber quanto de N dá para tirar do seu milho sem perder produtividade, fale com a nossa equipe técnica.

@assistecagricola — consultoria técnica agrícola há 22 anos.

Fontes: Embrapa Algodão e Embrapa Arroz e Feijão (identificação de bactérias diazotróficas no algodoeiro, agosto de 2026); Observatório de Bioeconomia da FGV e Instituto Equilíbrio (retornos do Plano ABC+, agosto de 2026). Ambos veiculados pela Campo e Negócios. Os dados de retorno são projeções setoriais, não resultados de campo.