El Niño na safra 2026/27: risco de seca no Centro-Oeste e bônus de chuva no Sul
A confirmação de um novo ciclo de El Niño para o segundo semestre de 2026 já entrou no radar de quem planeja a safra 2026/27. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, o fenômeno vai produzir efeitos opostos na América do Sul — e, para o produtor brasileiro, a diferença entre lucro e prejuízo vai depender de em qual metade do país a lavoura está.
Bônus hídrico na metade sul
Para Paraná, Rio Grande do Sul, Argentina, Paraguai e Uruguai, a maior regularidade de chuva projetada favorece o potencial produtivo de soja, milho e trigo de inverno. O cenário lembra safras historicamente boas para a região, como a de 2018/19 — um sinal de que o planejamento de investimento em tecnologia pode ser mais agressivo nessas áreas.
Alerta de estiagem no Centro-Norte
Já para Mato Grosso, Goiás e Bahia, a projeção é de precipitação abaixo da média histórica, com risco real de estresse hídrico e quebra de estande — cenário que remete às perdas do ciclo 2023/24. Quem está nessa faixa do país precisa tratar o El Niño como variável de planejamento, não como surpresa de dezembro.
A ameaça real está na safrinha
O ponto mais sensível da análise é o efeito em cadeia: o déficit de umidade no início do ciclo pode atrasar o plantio da soja no Centro-Oeste e, por consequência, empurrar a janela de semeadura do milho safrinha para o primeiro trimestre do ano seguinte — expondo o cereal à seca mais rigorosa do outono e inverno. Atraso na soja não é só perda de tempo; é o milho safrinha nascendo no pior momento climático do ano.
O que muda no planejamento agora
O 7º DATAGRO Abertura de Safra, marcado para 20 de agosto em Goiânia (GO), vai reunir consultores e lideranças para debater logística, crédito rural e gestão de risco para soja, milho e algodão na temporada 2026/27. A recomendação técnica que já circula no setor é clara: quem depende de hedge e proteção de margem precisa de dado qualificado agora — antes da janela de plantio, não durante ela.
- No Centro-Oeste: antecipar decisão de cultivar por grupo de maturação mais curto, para preservar a janela do milho safrinha mesmo com atraso na soja.
- No Sul: avaliar aumento de investimento em tecnologia de precisão, aproveitando o cenário hídrico mais favorável.
- Em qualquer região: mapear a capacidade de retenção de água do solo por talhão antes de fechar o plano de plantio — é isso que diferencia decisão técnica de aposta.
Sua decisão de janela de plantio está baseada em mapa de solo ou em calendário fixo? O GeoSolo da Assistec Agrícola mapeia a capacidade de retenção de água do seu talhão para embasar a escolha de cultivar e a data de plantio diante de um ano de El Niño. Fale com a nossa equipe técnica e siga @assistecagricola.