Um estudo inédito realizado pela Embrapa, Epagri e CNA revelou que a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) causou prejuízos acumulados de US$ 25,8 bilhões ao Brasil entre 2020 e 2024. Os dados foram divulgados durante a Tecnoshow COMIGO 2026, em Rio Verde (GO), e representam um alerta urgente para o produtor de milho safrinha no Centro-Oeste e Sul do país.
O Custo Real da Praga nas Lavouras
O levantamento quantificou pela primeira vez a dimensão econômica dos enfezamentos transmitidos pela cigarrinha no Brasil. O país perdeu, em média, 22,7% da produção anual de milho por causa da praga no período analisado — o equivalente a 2 bilhões de sacas que deixaram de ser colhidas.
Outro dado preocupante é o aumento nos gastos com inseticidas: o custo de controle químico subiu 19% no período, evidenciando que a dependência de produtos isolados não tem sido suficiente para conter o avanço da praga.
Como Funciona o Ciclo da Cigarrinha
A cigarrinha-do-milho é o vetor de dois fitoplasmas — o enfezamento pálido e o enfezamento vermelho — que causam redução severa na produtividade e qualidade dos grãos. O inseto se multiplica em plantas de milho voluntário (milho tiguera) e migra para as lavouras da safrinha quando estas ainda estão em estádios iniciais de desenvolvimento, tornando as plantas mais vulneráveis à infecção.
Manejo Integrado de Pragas (MIP): A Solução Técnica
Especialistas da Embrapa apontam que o controle efetivo da cigarrinha-do-milho exige uma abordagem integrada, com três pilares fundamentais:
- Monitoramento antecipado: iniciar o monitoramento antes da semeadura da safrinha, identificando focos de cigarrinha nas lavouras de milho verão ainda em campo.
- Eliminação do milho tiguera: plantas de milho voluntário são o principal reservatório da cigarrinha entre safras. A destruição dessas plantas reduz drasticamente a pressão da praga.
- Sincronização do plantio entre vizinhos: quando produtores de uma mesma região plantam dentro de uma janela de semeadura sincronizada, reduz-se a disponibilidade de plantas hospedeiras em diferentes estádios, quebrando o ciclo da praga.
Atenção Especial à Safrinha 2026
Com mais de 1,17 milhão de hectares de milho safrinha já semeados fora da janela ideal em Mato Grosso, o risco climático e fitossanitário para a safra 2026 é elevado. O produtor que ainda está no início do desenvolvimento da cultura deve intensificar o monitoramento e, se necessário, acionar o manejo químico no momento correto — na chegada das primeiras ninfas, antes da migração em massa para as lavouras.
O resultado da Tecnoshow COMIGO 2026 reforça que o campo brasileiro avança em tecnologia, mas a gestão integrada de pragas ainda é um diferencial competitivo que separa os produtores de alta performance dos demais. Cuide da sua safrinha: o prejuízo pode ser silencioso, mas os números não mentem.