Um estudo inédito conduzido pela Embrapa, Epagri e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revelou o tamanho real do estrago causado pela cigarrinha-do-milho no Brasil: entre 2020 e 2024, a praga acumulou um prejuízo de US$ 25,8 bilhões — valor que coloca o inseto entre as maiores ameaças econômicas já registradas para o agronegócio brasileiro.
Quase 25% da produção perdida por ano
Em média, o Brasil perdeu 22,7% da produção anual de milho em razão dos enfezamentos transmitidos pela cigarrinha (Dalbulus maidis). Isso equivale a aproximadamente 2 bilhões de sacas que simplesmente deixaram de ser produzidas ao longo do período analisado. Para colocar em perspectiva: essa quantidade seria suficiente para abastecer o consumo interno brasileiro por mais de dois anos.
Custo de controle subiu 19% — e ainda não é suficiente
O gasto com inseticidas para combate à praga cresceu 19% no período, evidenciando que o controle químico isolado não consegue conter o avanço dos enfezamentos. A resistência desenvolvida pela cigarrinha a alguns grupos de moléculas e a velocidade de reinfestação das lavouras tornam o manejo exclusivamente químico uma corrida sem fim — e cada vez mais cara.
Manejo Integrado de Pragas: o caminho comprovado
Os pesquisadores são unânimes: a solução passa pelo Manejo Integrado de Pragas (MIP), com foco em três frentes complementares:
- Monitoramento antecipado — iniciar a vigilância antes mesmo da semeadura da safrinha, identificando populações da praga na cultura anterior;
- Eliminação do milho tiguera — plantas voluntárias de milho que surgem na área após a soja são pontes de infestação que alimentam as populações de cigarrinha entre as safras;
- Sincronização do plantio — o escalonamento desordenado entre propriedades vizinhas favorece a dispersão da praga. A sincronização regional do plantio dentro da janela ideal é uma das medidas de maior impacto coletivo.
Impacto direto na safrinha 2026
Com 1,17 milhão de hectares já semeados fora da janela ideal em Mato Grosso nesta safrinha (dado do Imea), o alerta é máximo. Áreas com plantio tardio têm maior sobreposição com o período de voo da cigarrinha, elevando significativamente o risco de transmissão dos enfezamentos. Nesses casos, o monitoramento semanal e o uso estratégico de inseticidas sistêmicos no tratamento de sementes tornam-se ainda mais críticos.
O prejuízo de US$ 25,8 bilhões em quatro anos não é apenas um número — é um chamado urgente para que produtores, cooperativas e técnicos adotem o MIP como cultura permanente de manejo, e não apenas como resposta emergencial quando os danos já se instalaram.