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Plantio de soja com excesso de chuva no Sul: como operar no Paraná e no Rio Grande do Sul em 2026/27

Enquanto Mato Grosso já passou de 75% da soja semeada, o Sul vive o problema oposto: chuva demais. O El Niño forte de 2026/27 encharcou o solo no Paraná e no Rio Grande do Sul em outubro e fechou as janelas de plantio. A pergunta para quem ainda tem área a semear não é só quando entrar, mas como entrar sem comprometer o estande e a estrutura do solo.

Onde está o plantio no Sul

  • Paraná: 47% da área de soja semeada no início da semana de 20/10, segundo o Deral, contra 52% no mesmo período do ano passado. No começo de outubro o estado tinha o plantio mais adiantado das últimas oito safras; as chuvas travaram o ritmo.
  • Rio Grande do Sul: 3% da área semeada até 22/10, abaixo da média histórica de 5% para a época, segundo a Emater/RS-Ascar. O milho chegou a 78% da área.
  • Trigo no Paraná: 82% colhido, com atraso, perda de qualidade e redução de potencial produtivo, segundo o Deral. Isso empurra parte da soja em sucessão para mais tarde.

Nas áreas já semeadas, o Deral relata boa germinação na maior parte, mas também emergência irregular, desenvolvimento lento e apodrecimento de plantas onde houve encharcamento. A Emater registrou prejuízo à emergência em lavouras semeadas cedo, logo depois das chuvas volumosas.

O que a previsão indica para novembro e dezembro

A Climatempo prevê chuva acima da média em outubro, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, com temporais, vento forte e granizo. Ao longo da primavera, o volume maior migra do Paraná para o Rio Grande do Sul, e o risco de excesso continua em novembro e dezembro. No Paraná, a Adapar já estendeu até 31 de janeiro o prazo de semeadura em duas regiões.

Esperar custa menos do que plantar no barro

A janela recomendada para soja no Rio Grande do Sul vai de 15 de outubro a 15 de dezembro, com melhores resultados do fim de outubro ao fim de novembro. Um ensaio em terras baixas de Pelotas, citado pela Climatempo, dá a ordem de grandeza: 2.713 kg/ha semeado em 20/11, 3.161 kg/ha em 16/12 e 2.033 kg/ha em 6/1. A queda entre meados de dezembro e o começo de janeiro foi de cerca de 36%. Esperar o solo dar condição em novembro custa pouco. Deixar escorregar para janeiro custa caro.

Também vale lembrar que o El Niño costuma favorecer o Rio Grande do Sul: a produtividade subiu em 5 das 6 safras com o fenômeno desde 1982/83. A projeção oficial do estado para 2026/27 é de 21,15 milhões de toneladas em 6,6 milhões de hectares. O potencial existe, desde que o estabelecimento da lavoura não seja perdido.

Riscos de semear com o solo encharcado

  • Compactação e sulco mal fechado: o tráfego de máquinas em solo saturado compacta a camada superficial, deixa o sulco aberto ou espelhado e distribui mal a semente.
  • Podridão de Phytophthora: avança com água livre no solo e temperatura a partir de 25 °C.
  • Tombamento por Rhizoctonia: ataca da pré-emergência até 30 a 35 dias após a semeadura, favorecido por calor e umidade.
  • Mofo-branco: favorecido por tempo chuvoso e ameno, entre 10 e 21 °C.
  • Ferrugem-asiática: precisa de pelo menos seis horas de molhamento foliar para infectar. Dias seguidos de chuva também fecham a janela de pulverização.

Como operar nas próximas semanas

  • Ordene os talhões pela drenagem. Áreas altas e bem drenadas primeiro; baixadas por último.
  • Deixe tudo pronto antes da estiagem: semente tratada, adubo na fazenda e plantadeira regulada. A janela seca pode ser de dois ou três dias.
  • Trate a semente com fungicida para proteger contra fungos de solo nas primeiras semanas.
  • Calcule a capacidade diária de semeadura em hectares por dia. Se a área total exige mais dias secos do que novembro costuma oferecer, contrate capacidade extra.
  • Defina uma data de corte com o agrônomo, a partir da qual muda a cultivar (ciclo) ou o plano do talhão.
  • Escalone semeadura e ciclos para também espalhar a colheita e reduzir o risco de chuva na colheita.

Saber onde o solo aguenta máquina

Nem todo talhão drena igual. O Diagnóstico GeoSolo da Assistec Agrícola mapeia a física do solo da sua área, incluindo compactação e retenção de água, para você definir a ordem de entrada das máquinas e corrigir o que o tráfego no barro deixar para trás. Fale com a nossa equipe técnica e siga @assistecagricola.