O plantio da soja 2026/27 chegou a 51,86% da área prevista em Mato Grosso até 16 de outubro, segundo o Imea. Foi um salto de 18,58 pontos percentuais em uma semana, depois de um começo travado pela falta de chuva. O problema é que o avanço não é uniforme: há talhão semeado em solo seco no Centro-Oeste e lavoura encharcada no Sul e em Mato Grosso do Sul. Nas duas situações, a pergunta que chega ao campo é a mesma: o estande vai fechar ou vai precisar de replantio?
Onde o plantio está
- Mato Grosso (Imea): 51,86% até 16/10, contra 33,28% em 9/10 e 10,23% em 2/10. Médio-Norte lidera com 69,32%, seguido do Oeste com 61,58%. Área estimada de 13,05 milhões de hectares.
- Mato Grosso do Sul (SIGA-MS/Aprosoja-MS): 26,6% até 9/10, cerca de 1,3 milhão de hectares, 10 pontos à frente do ciclo passado. Sul do estado com 35,7%, Centro com 17,9% e Norte abaixo de 4,8%.
- Brasil (Conab): 15,6% da área semeada até 9/10. Paraná com 36%.
Dois problemas opostos no mesmo mês
Falta de água no Centro-Oeste. Em setembro, grande parte da região recebeu menos de 90 mm, volume insuficiente para recompor a umidade do perfil. O boletim agroclimático do Inmet para outubro a dezembro prevê umidade do solo abaixo de 20% em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal ao longo de outubro, com recuperação mais consistente só em novembro e dezembro. O próprio Inmet alerta que soja e milho de sequeiro semeados em solo seco têm risco maior de falha de germinação e replantio. Em Confresa (MT), uma chuva de 140 mm destravou o plantio depois de um mês seco, mas regiões como Tabaporã já tinham talhões com risco de replantio.
Excesso de água no Sul e em MS. Em Mato Grosso do Sul, a chuva da semana variou de 1 a 225 mm conforme a região. O SIGA-MS registrou selamento superficial (crosta compactada que impede a emergência) na região Centro e erosão laminar no Sudeste, com arraste de semente. No Paraná, a previsão é de armazenamento de água no solo acima de 80%, e já há relato de raiz apodrecendo por excesso de umidade na região de Pato Branco. Para 13 a 29 de outubro, a previsão em MS é de 60 a 200 mm.
Como decidir sobre replantio, talhão a talhão
Replantio custa semente, operação, tratamento e, principalmente, dias de janela, que no Centro-Oeste encurtam o espaço do milho safrinha. Por isso a decisão precisa de número, não de impressão da beira da estrada.
- Conte o estande. Avalie plantas emergidas por metro linear em vários pontos representativos do talhão, separando reboleiras de áreas uniformes. Compare com a população-alvo da cultivar.
- Olhe a distribuição, não só a média. A soja compensa população menor com ramificação quando as falhas são distribuídas. Falhas longas e contínuas, como as deixadas por erosão ou selamento, compensam muito menos.
- Cheque a umidade no perfil antes de ressemear. No Centro-Oeste, replantar em solo que ainda não recompôs umidade repete o problema. No Sul, entrar com máquina em solo encharcado agrava compactação e selamento.
- Pare a operação quando o solo não comporta. É a recomendação do SIGA-MS: interromper a semeadura em solo muito úmido e retomar quando as condições melhorarem.
- Registre por talhão. Data de semeadura, chuva acumulada, estande e falhas. Esse histórico define a ordem de colheita e a data de entrada do milho.
O que vem pela frente
O El Niño deste ano é classificado como muito forte, com temperaturas acima da média em boa parte do país até dezembro. Para o Centro-Oeste, o Inmet projeta chuva abaixo da média no noroeste e nordeste de Mato Grosso e no centro-norte de Goiás em outubro e novembro. Para o Sul, volumes acima da média. O analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, resume a preocupação: o período crítico é de novembro em diante, quando a lavoura semeada agora entra em fases de maior demanda hídrica.
Diagnóstico antes da decisão
Saber onde o solo compacta, onde segura água e onde escorre muda a decisão de replantio e o manejo do resto da safra. O GeoSolo da Assistec mapeia a variabilidade do solo por talhão, e o Campo Experimental mostra como as cultivares respondem em condição de estresse na região. Fale com a equipe técnica e acompanhe as atualizações da safra no Instagram @assistecagricola.