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Mosca-branca na soja: El Niño eleva a pressão na safra 2026/27

A praga que volta quando o ano fica quente e seco

A mosca-branca (Bemisia tabaci) tende a voltar ao centro do manejo da soja na safra 2026/27. O motivo é climático: o El Niño muito forte previsto para a primavera e o verão eleva o risco de seca e calor extremo, sobretudo no Matopiba, e essas são exatamente as condições que aceleram a proliferação do inseto. O alerta é da equipe técnica da Sipcam Nichino, que classifica a praga entre as principais do país, com potencial de dano de 20% a 100% em uma área.

É uma faixa de dano ampla porque depende de quando a infestação é detectada. Mosca-branca percebida tarde, em lavoura já sob estresse hídrico, é o cenário em que o número se aproxima do limite superior.

Como a praga tira produtividade da soja

A Bemisia tabaci é sugadora e atua por três vias que se somam:

  • Depleção de nutrientes. A sucção contínua de seiva esgota os nutrientes da folha e pode levar à desfolha precoce.
  • Fumagina. O inseto excreta uma substância açucarada sobre a folha. Sobre ela se desenvolve o fungo da fumagina, que reveste o limbo e inibe a fotossíntese. A folha continua na planta, mas deixa de produzir.
  • Transmissão de vírus. Em situações mais raras e em cultivares suscetíveis, a mosca-branca atua como vetor — o que atrasa o crescimento e compromete a colheita.

Em ano de déficit hídrico, os três efeitos batem em uma planta que já está com a fotossíntese limitada por falta de água. A perda não é aditiva: é multiplicativa.

O erro clássico: mirar só no adulto

A mosca-branca adulta é o que o produtor vê. Voa quando se agita a planta, aparece na borda do talhão, chama atenção. A ninfa é o que tira a produtividade — e é a fase que historicamente ficou de fora da prioridade de manejo.

Segundo Eric Ono, engenheiro agrônomo e gerente de portfólio de cultivos extensivos da Sipcam Nichino, o controle deve ocorrer ainda no estágio de ninfa, considerado o mais prejudicial na cultura da soja. As ninfas são numerosas, imóveis, ficam escondidas na face inferior da folha e drenam nutrientes e fotoassimilados de forma incessante.

Duas consequências práticas disso:

  • Monitoramento tem que virar a folha. Amostragem que só olha a face superior e conta adulto em pano de batida subestima a população real. A inspeção precisa incluir a face inferior do terço médio e inferior da planta.
  • Produto adulticida isolado não quebra o ciclo. Matar adulto reduz a pressão visível e mantém a reposição populacional intacta. Em poucos dias a lavoura volta ao patamar anterior — e o produtor conclui, erradamente, que houve falha de produto.

Quebra de ciclo na prática

O manejo que sustenta resultado combina ação sobre a ninfa com ação sobre o adulto. Reguladores de crescimento de insetos — caso da buprofezina, base do inseticida Fiera, lançado pela companhia para mosca-branca na soja e cigarrinha-do-milho — agem na troca de instar da ninfa e interferem na fecundidade e na fertilidade das fêmeas, suprimindo populações futuras. Associados a um adulticida, reduzem a pressão atual e a reposição.

Independente do produto escolhido, a lógica agronômica é a mesma e vale a regra de sempre: rotação de mecanismos de ação a cada geração da praga, cobertura de calda que alcance a face inferior da folha (volume e ponta importam mais aqui do que na maioria das aplicações) e decisão baseada em nível de infestação, não em calendário.

O que fazer agora, antes da infestação

  • Mapeie os focos de entrada. Mosca-branca chega de bordadura, de áreas de algodão, feijão, tomate e de hospedeiros voluntários. Talhão vizinho a essas culturas é prioridade de monitoramento.
  • Elimine hospedeiro de entressafra. Soja voluntária e plantas daninhas hospedeiras mantêm a população viva entre ciclos.
  • Defina o nível de ação antes da safra. Discutir limiar com a lavoura já infestada é decidir sob pressão.
  • Planeje a rotação de mecanismos. Em ano de alta pressão, a chance de queimar um mecanismo de ação por uso repetido é real.

Onde a Assistec entra

O Alvo Check estrutura o monitoramento por talhão com protocolo de amostragem definido — incluindo a inspeção da face inferior da folha, que é onde a decisão sobre mosca-branca realmente se forma. Com histórico de infestação por área, o produtor decide a aplicação pelo nível encontrado e pela fase predominante da praga, não pelo que o vizinho está fazendo. No Campo Experimental, avaliamos o desempenho de diferentes estratégias de controle nas condições da nossa região.

Tem área de soja próxima de algodão ou feijão? Monte o protocolo de monitoramento antes da emergência. Fale com a nossa equipe. @assistecagricola