A partir do dia 1º de junho de 2026, entrou em vigor o Vazio Sanitário da Soja na Região 1 do estado de São Paulo, conforme comunicado oficial da Defesa Agropecuária Estadual. A medida é coordenada pela Secretaria de Agricultura e representa uma das estratégias mais eficazes para o controle da ferrugem asiática — doença que historicamente provoca perdas expressivas na produção de soja no Brasil.
O que é o Vazio Sanitário da Soja?
O vazio sanitário é um período em que fica proibido manter plantas vivas de soja em qualquer estágio de desenvolvimento na propriedade. O objetivo técnico é interromper o ciclo do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, reduzindo a pressão de inóculo e minimizando os riscos de ocorrência precoce na safra seguinte.
Essa prática é amplamente adotada nos principais estados produtores do Brasil e tem demonstrado resultados concretos na diminuição da incidência da doença e na redução dos custos com fungicidas.
Datas e Regiões em São Paulo
O estado de São Paulo está dividido em três zonas fitossanitárias para fins de controle do vazio sanitário:
- Região 1: Início em 1º de junho de 2026 (já em vigor)
- Região 2: Início em 12 de junho de 2026
- Região 3: Início em 15 de junho de 2026
É fundamental que os produtores respeitem essas datas e realizem o cadastro das áreas produtoras em até 15 dias após o fim da semeadura, conforme exige a norma.
Obrigações do Produtor Durante o Período
Com o início do vazio sanitário, algumas medidas são obrigatórias:
- Eliminação de todas as plantas voluntárias de soja (tigueras) nas lavouras e bordas
- Monitoramento ativo de áreas que possam abrigar hospedeiros alternativos do fungo
- Registro das atividades para fins de fiscalização pela Defesa Agropecuária
O descumprimento das regras pode resultar em autuações e comprometer a saúde fitossanitária de toda a região produtora, afetando não apenas a propriedade individual, mas os vizinhos e toda a cadeia produtiva local.
Por Que o Vazio Sanitário é Tão Importante?
A ferrugem asiática é a principal doença foliar da soja no Brasil. Em safras com alta pressão da doença e condições climáticas favoráveis, as perdas podem chegar a 70% da produtividade sem um manejo adequado. O custo com fungicidas para o controle é significativo — e o vazio sanitário é uma medida coletiva e de baixo custo que reduz a necessidade de aplicações e o risco de resistência dos fungicidas.
Além disso, a adoção em escala regional garante que o benefício seja multiplicado: quando todos os produtores da zona respeitam o período, a pressão de inóculo cai drasticamente para toda a safra seguinte.
Outras Novidades Fitossanitárias no Estado
Além do vazio sanitário da soja, São Paulo também publicou nesta semana a Resolução SAA nº 32/2026, que atualiza as regras para o controle do greening na citricultura. Entre as principais mudanças:
- Municípios com até 10% de plantas doentes serão classificados como área de baixa incidência
- Em cidades de alta incidência, a erradicação compulsória de árvores adultas doentes não é mais obrigatória — a eliminação fica restrita a plantas com até 3 anos
- O monitoramento do psilídeo (vetor do HLB) passa a ser obrigatório a cada 15 dias em pomares de qualquer idade
O Que Fazer Agora?
Se você produz soja ou tem propriedades na Região 1 de São Paulo, o momento de agir é agora. Verifique se há plantas voluntárias em suas lavouras, organize o cadastro das suas áreas e mantenha contato com seu engenheiro agrônomo para garantir conformidade com as normas.
Um bom início de vazio sanitário é o primeiro passo para uma próxima safra mais saudável, produtiva e lucrativa.
Fonte: Campo e Negócios / Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo — SAA Resolução 32/2026