No artigo anterior falamos sobre as pragas iniciais na cultura do milho. Seguindo essa temática, vamos comentar agora sobre as doenças e pragas que continuam a incomodar e comprometer a produtividade.
Com a cultura estabelecida e já encaminhando para os seus 60 dias após o plantio, começam a aparecer alguns sintomas de doenças como Cercosporiose, Bipolaris, Helmintosporiose, dentre outras. Essas doenças, bem como sua severidade, variam de região para região e com a ocorrência de chuvas torrenciais, que muitas das vezes vêm acompanhadas de granizo, prejudicam ainda mais essa situação, lembrando sempre que essas doenças também acomete o colmo da planta, causando quebramento e perdas, pois a máquina não consegue colher. O granizo danifica o limbo foliar, abrindo porta de entrada para os patógenos que já estão presentes no ambiente de produção, portanto, devemos estar preparados para enfrentar de forma profissional esse desafio, com um programa fitossanitário robusto, utilizando fungicidas com ação comprovada sobre esses patógenos, conhecimento técnico, sempre levando em consideração as boas práticas agronômicas. Outro ponto muito importante que devemos estar atentos também é sobre o estado nutricional da lavoura, pois existem algumas deficiências nutricionais que se parecem com doenças como a deficiência de Manganês que pode ser confundida com o Vírus do Raiado Fino (MSV).
Com relação as pragas, temos que estar sempre atentos a Spodoptera frugiperda, pois as biotecnologias que temos hoje, não estão combatendo de maneira efetiva essa praga e ela tem permanecido no sistema de cultivo em sucessão soja – milho causando muita dor de cabeça para os produtores. Nesse momento também ocorre a chegada dos pulgões, que primeiramente, possuem asas, conhecidos como “pulgões alados”, são insetos fêmeas que se reproduzem de forma assexuada (partenogênese) infectam as plantas, formando grupos de insetos conhecidos por colônias. Seus danos diretos são redução drástica da produção, principalmente quando sua colonização ocorre no período vegetativo, pois prejudica a polinização da cultura, perfilhamento de espigas e atrofia, má granação, podendo até causar a morte da planta.
Seguindo esse raciocínio, temos que estar atentos quanto à Cigarrinha do Milho Dalbulus maidis, que além de transmitir o Complexo de Molicutes e Viroses, o famoso CMV, que obstruem os vasos do floema (responsáveis pela condução de fotoassimilados pela planta), também causam a formação de fumagina que são fungos do gênero Capnodium sp que formam uma estrutura de cor escura sobre as folhas, como se fosse uma fuligem, impedindo a planta de realizar fotossíntese, comprometendo diretamente o enchimento de grãos. Esses fungos se desenvolvem a partir dos excrementos liberados tanto pelo Dalbulus quanto pelos pulgões e prejudica muito o milho em sua reta final.
Diante desse cenário, um ponto crucial para se obter sucesso seria buscar conhecimento, atualizar-se constantemente e procurar uma assistência técnica que atenda suas expectativas, pois as pragas e doenças estão em constante adaptação e temos que nos antecipar a isso, estando sempre um passo à frente e isso só se consegue por meio de pesquisa e difusão de conhecimento.