No contexto do manejo fitossanitário da soja, um subtópico que tem gerado grande preocupação entre os agricultores é a explosão populacional de lagartas do complexo Spodoptera. Diferente de outras pragas de fácil manejo, este grupo apresenta características comportamentais e fisiológicas que dificultam o controle e ameaçam diretamente a rentabilidade da lavoura.
Comportamento e Danos
A grande dificuldade no combate a essas lagartas reside em sua tolerância a diversos ingredientes ativos, tanto os de ação de contato quanto os de ingestão. Além da resistência química, elas utilizam o próprio ambiente a seu favor: alojam-se nas estruturas do caule, protegidas pelo dossel das plantas, e atacam quando as condições são propícias. O prejuízo é direto e severo, pois seu hábito alimentar foca justamente nas estruturas reprodutivas da planta, alimentando-se de flores e vagens, o que impacta imediatamente a produtividade final.
A Importância do Manejo na Entressafra
O controle dessa praga não deve se limitar ao ciclo atual da soja. É fundamental realizar o manejo antes do plantio da cultura subsequente para evitar a chamada “ponte verde”. Se as lagartas não forem controladas agora, elas criarão uma pressão muito maior sobre a fase inicial da próxima lavoura. Como o bom estabelecimento da cultura define o sucesso de todo o ciclo, negligenciar esse controle final valida o ditado agronômico de que “o que começa mal, termina mal”. Portanto, o manejo fitossanitário deve ser encarado como uma prática totalmente preventiva e contínua.